31.12.09
21.12.09
Às Sete e Alguma Coisa
Hoje, o mar que eu vi era rosa. Ou seriam meus olhos cheios de dó que fitavam o velho mundo?
17.12.09
Calçada
É de impressionar como foge a cor do mundo quando o tempo acaba e ela se vai. Tudo se torna opaco, até mesmo o febril senso de defesa que outrora tomava conta do corpo. É como se lhe tomassem de súbito um dos sentidos; como se nem aquele perfume existisse mais ou como se cor alguma se refletisse nos olhos. É o roubo do tempo e do espaço. É a conspiração do chão pela queda. É o começo que brinca de ser fim. É o vazio que fica naqueles que não são oito — são oitenta. Aqueles que fervem demais, que sofrem demais, que odeiam demais, que gostam demais, que amam demais. E esquecem os demais para dar um centro ao universo caótico. É a hora de pagar o mergulho nas nuvens com o engulho ácido do ar que entra nos pulmões, a vida real que quer de novo estar no comando. E que esteja. A vida real é a gente quem faz quando quer de verdade. Feito melões numa calça.
26.10.09
Telecom Italia Mobile
Dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a dor é pra quem sente a
Eu Sou
Falho. Isso já não é novidade faz dezessete anos, na mais generosa das minhas possibilidades. No entanto, não procuro redenção e nem compensação já que o mundo voltou para seu eixo excêntrico de sempre.
A verdade é que quis registrar o filho da puta que fui e que sou. Falho. E covarde. E fico namorando esses escorregões, nessa espécie de orgulho esquisito, na tentativa de convencer alguém que isso tudo viveu de que existe justificativa.
Bem também omito, invento, engano; a ninguém além de mim. Deixo crescer esse amor pelo falso, minha droga pessoal, invisível. Risco e risco e risco e falo e falo e falo e rio. E falo mais um pouco.
Pois então.
Perdão, meu Bem, ainda não vejo muito desse Sol. É o que se espera. Mas passa. Tem de passar.
A verdade é que quis registrar o filho da puta que fui e que sou. Falho. E covarde. E fico namorando esses escorregões, nessa espécie de orgulho esquisito, na tentativa de convencer alguém que isso tudo viveu de que existe justificativa.
Bem também omito, invento, engano; a ninguém além de mim. Deixo crescer esse amor pelo falso, minha droga pessoal, invisível. Risco e risco e risco e falo e falo e falo e rio. E falo mais um pouco.
Pois então.
Perdão, meu Bem, ainda não vejo muito desse Sol. É o que se espera. Mas passa. Tem de passar.
8.10.09
3.10.09
Ida
E o rapaz, de olhar pesado, correu os olhos pela sala uma última vez, como se procurasse um derradeiro porto seguro para ancorar. Aparentemente, não viu nada parecido. Deu de cara apenas com uma série de decepções e fracassos, ao menos sob a visão daqueles olhos opacos. Nada que pudesse dobrar e guardar no bolso ou incorporar a suas caixas.
A iluminação bruxuleante do ambiente já não era resiliente o bastante para que pudesse ver aquele outro par, que o fazia por vezes rolar de hemisfério a hemisfério do colchão durante as noites mais redundantes. Era um moleque, nada mais, um esboço do que viria a ser alguém de palavra firme e essência suave, mas que ainda assim nunca viria a entender porque as coisas lhe doíam tanto e muito menos a razão de as nuvens serem tão brancas quando mais precisava de chuva.
O rosto marcado, precocemente dono de rugas, esquadrinhou ainda a sala à procura das heranças que pensara deixar, das portas que abrira sem ter intenção de adentrar. Não as encontrou. Se fosse dono de um qualquer de sensatez, teria tido o dom de notar que sua mente perturbada já não compreendia a fronteira da fantasia. Por diversas vezes abrira mão de chances reais por distantes possibilidades, na esquisita esperança de que talvez seu mundo não fosse exatamente o que via. A mania de ver ondas e não procurar entender a maré, mas sim imaginar uma grande roda mágica que as produzisse. Era a fé embaraçosa de um ateu.
Vacilantes, as mãos compreenderam que era hora de ir e logo convenceram as pernas a acompanharem-nas. Servindo-se de um último gole de ar, o rapaz deu meia-volta, vestiu o capuz do casaco e saiu pela porta sem tranca. Deixou para trás mais um pouco de razão.
A iluminação bruxuleante do ambiente já não era resiliente o bastante para que pudesse ver aquele outro par, que o fazia por vezes rolar de hemisfério a hemisfério do colchão durante as noites mais redundantes. Era um moleque, nada mais, um esboço do que viria a ser alguém de palavra firme e essência suave, mas que ainda assim nunca viria a entender porque as coisas lhe doíam tanto e muito menos a razão de as nuvens serem tão brancas quando mais precisava de chuva.
O rosto marcado, precocemente dono de rugas, esquadrinhou ainda a sala à procura das heranças que pensara deixar, das portas que abrira sem ter intenção de adentrar. Não as encontrou. Se fosse dono de um qualquer de sensatez, teria tido o dom de notar que sua mente perturbada já não compreendia a fronteira da fantasia. Por diversas vezes abrira mão de chances reais por distantes possibilidades, na esquisita esperança de que talvez seu mundo não fosse exatamente o que via. A mania de ver ondas e não procurar entender a maré, mas sim imaginar uma grande roda mágica que as produzisse. Era a fé embaraçosa de um ateu.
Vacilantes, as mãos compreenderam que era hora de ir e logo convenceram as pernas a acompanharem-nas. Servindo-se de um último gole de ar, o rapaz deu meia-volta, vestiu o capuz do casaco e saiu pela porta sem tranca. Deixou para trás mais um pouco de razão.
7.7.09
Carta Aberta aos
E é a essa altura que eu saio do sério, quando sinto que meu coração já não mais bombeia sangue, bombeia insanidade. Para qualquer lado que olhe, vejo o mesmo: uma merda sem tamanho.
Minha pele cai como nunca, meus olhos ardem mais que a vontade de entrar em combustão espontânea e completar a sacanagem. Cada extremo tremula, protestando contra a perda de controle da cabeça débil. Por debaixo da pele estudantil, me pareço com qualquer coisa, com exceção de um ser humano.
Esse monte de bonecos de cera, tementes a deus, medrosos, rindo seus risos receosos, com a costumeira "diversão jovial". Filhos da puta, bando de porcos sexuais — como todos nós — taxando-se de loucos sem nem ter ideia de que mandam cada minuto de suas vidas para a Puta-Que-Pariu. Como faço eu.
Eu viera e fizera o que tinha de ser feito, com sucesso, até certo ponto. Mas chega. Chega de ver dias passarem em quinze minutos e assistir à vida correr de mim com medo de que eu a gaste. Chega de respirar esse ar que me dá engulhos, pisar esse chão que conspira para me derrubar e dormir noites venenosas de remorso.
Chega, fecho a minha conta.
E você, sua piranha, se continuar tentando ler o que eu escrevo, vou dar uma planetada na minha testa. Vire esses olhos para lá e afunde-se na aula.
Minha pele cai como nunca, meus olhos ardem mais que a vontade de entrar em combustão espontânea e completar a sacanagem. Cada extremo tremula, protestando contra a perda de controle da cabeça débil. Por debaixo da pele estudantil, me pareço com qualquer coisa, com exceção de um ser humano.
Esse monte de bonecos de cera, tementes a deus, medrosos, rindo seus risos receosos, com a costumeira "diversão jovial". Filhos da puta, bando de porcos sexuais — como todos nós — taxando-se de loucos sem nem ter ideia de que mandam cada minuto de suas vidas para a Puta-Que-Pariu. Como faço eu.
Eu viera e fizera o que tinha de ser feito, com sucesso, até certo ponto. Mas chega. Chega de ver dias passarem em quinze minutos e assistir à vida correr de mim com medo de que eu a gaste. Chega de respirar esse ar que me dá engulhos, pisar esse chão que conspira para me derrubar e dormir noites venenosas de remorso.
Chega, fecho a minha conta.
E você, sua piranha, se continuar tentando ler o que eu escrevo, vou dar uma planetada na minha testa. Vire esses olhos para lá e afunde-se na aula.
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