8.2.09

O Campeão


Olhei para o céu. Senti-me completo. Senti-me feliz. Ergui meus braços e gritei dentro de mim. Eu era, pela primeira vez, um campeão. Eu estava vivo. Eu tinha ganhado. Se tivesse mesmo morrido naquele dia, não teria olhado para o céu. E não seria o campeão.

Mais Uma Justificativa

Tanta vontade de escrever
Que as palavras me fogem às mãos
Tropeçam-me aos olhos
Se escondem nos vãos

E que de tão vãos
Recuso-me a fechá-los
Fechá-los com um amor
Como recomendou o tal doutor

Doutor em assuntos experientes
Torturantes, reticentes
Faz-me um chá pras rugas
Me relembra as tantas fugas

E se são fugas, explico,
Já que tanto me julgas
Foi por medo, foi por ter
Essa vontade de escrever

20.12.08

Inveja

Os pássaros não morrem
Simplesmente voam
Sem sequer imaginar
Que no breve bater de asas...

Os pássaros não sofrem
Simplesmente cantam
Com a gélida certeza
Daqueles que provocam e...

Me fazem invejar.

E se meu mundo cabe
No espelho d'água, eu à eira do mar
Que dirá o da inocência vaga dos
Que me fazem invejar?

Os pássaros não morrem
Os pássaros não sofrem
Sem sequer imaginar
Que me fazem invejar.

30.10.08

Injeção na Testa

— O que é isso?
— O negócio, ué. Aquilo.
— Ah, sim, vejo que sim. Custa quanto?
— É maldade. É de graça. Então aí vai.
— Não, calma. Espera. Espera um pouco.
— Tá bom.
— Vai doer, isso?
— Provavelmente.
— Doeu da última vez?
— Sim, doeu.
— Muito?
— É. Mas doeria muito mais se fosse do outro jeito.
— Sim, é verdade.
— É.
— O que tem aí dentro dessa seringa?
— Ah, o de sempre. Mentira.
— Mentira?
— É.
— Ah, tá.
— E um pouquinho de falsidade.
— É...
— E covardia, as well.
— Ah, de fato, é o de sempre.
— É.
— Enfim...
— Sim.
— Pode furar.
— Tá bom.
— Caramba, doeu.
— Ninguém disse que ia ser fácil. Pensei que já fosse bem óbvio.
— Não sei se as mesmas regras se aplicam a nós dois... mas, enfim. Era só desconfiança. Agora é certeza.
— É.
— Isso aconteceu mesmo ou eu sonhei?
— Sim, aconteceu.
— Não é mentira?
— Antes fosse.

25.10.08

Relevância:

Voz breve
Vida aguda
Quisera eu ter outra bermuda:
Para provar ao mundo inteiro
Que eu não sou só mais um onzeneiro
E tenho dito

7.10.08

Pu-239



O azul que hoje ouvi

Cego algum ouviria
Mergulhado em luz do Sol
Do Fá, do Lá, do Mi
E do cliché

Nosso prazer
Em contrastar
Em conquistar
Em discordar
Em contradizer

Deixe que o circo pegue fogo
Que a vaca vá ao brejo
Que a porra dê merda
Tanto fará:

Tudo que é belo será chumbo
Tudo que é falso cairá
O que te parece tão óbvio, tão próximo
Em breve um reles resto será

Viva la revolución!